domingo, 18 de dezembro de 2011

Mecanismo



Ensinam as horas,
bons tempos que me custam:
Os risos e os braços.
Alegrias incertas,
pacatos remorsos
na solidão dos dias.
Esperei pela manhã
a hora certa,
que me tentava a escrutar o riso alheio.
Reto, sisudo,
me arrodeio em decisões
sobre caminhos já decididos;
reais ilusões
da maquina realística,
do sonho não permitido.
Acontece,
Que a noite
Embebeda a alma
Dos homens.

Não-Canto



Não vou contar meus sonhos,
esperanças que não hei de conquistar.
O que cantar, o farei com palavras simples,
as mesmas que usamos, as impactantes,
que gritam dentro quando emanadas.
Não contarei mortes, assassinatos,
venda de entorpecentes ou crimes desumanos.
Não contarei sobre segredos universais, desenganos.
Livrarei meus poemas do gesto mecânico
do corpo enfarado,
Inútil vez em que se canta ensimesmado
o que não é de dentro.
Não insinuarei sobre os animais,
nem divagarei filosófico-platonicamente
sobre as revoluções que tocam o corpo ou a mente.
Mas falarei das flores!
Não por ficar bem em poesias ou ser reduto do amor,
mas pela vida serena que levam.
Não contarei sobre políticos corruptos,
armas de destruição em massa ou conspirações várias.
A conspiração é a mente,
é o carrasco andando na rua,
a moça que ri e se furta,
as nuvens e o eletro-carro,
tua conta no banco ou o meu dia claro,
no teu gozo, na tua operação de apendicite.

Mas não contarei!

Não falarei que vi lobisomens,
querubins ou alienígenas
vulto preto na encruzilhada
e a natureza de sua origem.
Algo tenta escapar aos olhos.
Percebes de soslaio?

Mas não conte!

Como eu não falarei do ópio em minhas veias,
nem pregarei a virtude humana frente ao mundo
Que me devora.
Não cantarei o tempo.
O passado, o presente e o futuro
são emergentes na cavidade do espaço
Em que nos destruímos.


Não cantarei o amor presente,
ou o passado, talvez cantar incerto o futuro.
Cantarei o amor-consistência, fundamento,
maquinismo indecifrável, sim eu cantarei!
Não cantarei as mulheres que tive
e não dei valor.
Tão sublimes para uma exposição superficial.
Tentativazinha de lirismo chulo.
Não indagarei sobre guerras,
partículas subatômicas ou a natureza da luz,
A sustentabilidade no cabide de roupas?
Exclamarei as rosas, suspirarei rios e florestas,
Mas não pregarei, hipócrita, o ambientalismo no garfo.

Denunciarei os corruptos?
Apontarei os delatores?
Serei firme? Forte?
Zombarei da falsa poesia?
Do homem feio?

Desculpe meu bem,
Não contarei!

Canto carnívoro-amoroso


Encarno com escarnio,
da carne carnificinada,
do carnívoro cavernoso
que espanta e prende e julga
e mata.
A carne que se diz carne.
O amor que se diz amor.
Transpira e ofega
e suspira em um ninho de cor.


Coração
ardente e intransigente,
se abre não fecha
até que no sequente encerra
a obra prima do sofrimento:
A perda!
A história mal contada,
a vida mal vivida.

Assim como ela era
Só existia em mim.

Lá fora, o mundo é cruel.
Não lamentes!
O calor ou o frio
ou o cansaço
ou a ausência de (a),
a perda de teu canário

Eu estou aqui
agora não me venha com essas!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Constatação na Madrugada

Em um canto do mundo
alguém proclama o amor.
Outros se separam.
Há alguém que chora
e o outro ri do portão.
É chegada a hora,
vamos não é mais tempo de eternizar.
Em vão colhe as flores,
estabelece a melhor configuração
para os moveis na sala.
Escuta
a comovível fala humana
que retumba em seu peito
e já não chora.
Os olhos estão secos
e são os mesmos olhos
que pousam sobre as coisas
e é o mesmo corpo,
que se arrasta até os afazeres.


É tão forte o corpo.


A carne que se contrai
no esforço do trabalho
e suporta a solidão dos dias tristes.
É a mesma que devoram os vermes
e sobe ao céu o espírito inerme
de duzentos mil dias.

Noutro canto,
escuta as risadas alheias,
gritos, gestos, sombras, manifestos.
A noite esconde as faces
e libera os desejos.


Do céu,
a Terra é tão tranquila.

4,5 bilhões de anos

No início,

partículas de matéria se juntaram

para formar algo complexo como um organismo vivo.

Estes eram simples,

mas foram ficando cada vez mais aperfeiçoados,

organismos passaram a se relacionar,

dando origem a novos organismos,

células se agrupavam e formavam seres diversos.

Vieram os peixes

e vieram os anfíbios

que saíram da água e deram origem aos répteis.

E depois vieram asteroides,

aves e mamíferos então se estabeleceram

e veio o homem

e veio o tecnologia

e veio a solidão

Três décadas

nenhuma resposta encontrada.

Algo tenta desviar sua atenção

e você ignora o fato de que

os anos passam,

mas você continua aqui.

Lentamente,

caminho pela rua,

que há muito caminha em mim.

Crônicas da Noiva Fantasma

Você que caminha
entre o ar e as coisas.
Vez em quando me espia
nas tardes, nas noites.
Teu cheiro não me convence.
Ainda não chegou a hora
de ser, sentir,
ver o que a terra vai nos dar.
Nós dois juntos
em futuros dias de união.




Por enquanto
se sublima em sonhos,
tentativas e promessas
de materializar.
Tão furtiva,
mimetiza onde mais espero.
Queria ter você aqui...
pra te dizer
e te dar esse carinho,
carinho simples de Homem.


Toda essa mão pra demonstrar o que sinto
e esse cheiro que não sinto
é Amor
e me espera ao longe
lá onde o tempo vai nos levar.

Lamento

Contei cinco mil estrelas
e você não estava em nenhuma delas.
O que sobrou foi um dedo de verrugas
e um pensamento sem nexo.
Viver não faz sentido.
As flores não nascem só na primavera.
Escuta a fala ao teu ouvido e ignora
conselhos, palpites, mistérios
do mundo da paixão.
Viver já não basta
palmilhado o pequenino mundo
da vila onde moras.
Contemplas o horizonte
e quer ir onde a vista não chega.
Um mundo já não basta...


Contei cinco mil estrelas
e você não estava em nenhuma delas.

Os Sonhos

Pessoas são feitas
de palavras, gestos,
adereços.
Toda essa mão
pra fazer o carinho
e é a emoção que se desgasta.
As palavras buscam
decifrar-se umas às outras.
Algumas prontas,
buscando sentido,
outras sentindo.


Pessoas são feitas de sonhos
sonhos buscando canal.
Viver apenas
não basta.
Sonhar apenas
não basta.
Viver uma vida plena e rica,
virar um criador de galinhas.


Mas no final,
sempre teremos os olhos
fixos na linha do horizonte
e um ar de surpresa.
Uma vida apenas não basta.
Há quanto tempo tem a Terra
e quer o céu, voar entre as estrelas.


Pessoas são feitas de sonhos.