alguém proclama o amor.
Outros se separam.
Há alguém que chora
e o outro ri do portão.
É chegada a hora,
vamos não é mais tempo de eternizar.
Em vão colhe as flores,
estabelece a melhor configuração
para os moveis na sala.
Escuta
a comovível fala humana
que retumba em seu peito
e já não chora.
Os olhos estão secos
e são os mesmos olhos
que pousam sobre as coisas
e é o mesmo corpo,
que se arrasta até os afazeres.
É tão forte o corpo.
A carne que se contrai
no esforço do trabalho
e suporta a solidão dos dias tristes.
É a mesma que devoram os vermes
e sobe ao céu o espírito inerme
de duzentos mil dias.

Noutro canto,
escuta as risadas alheias,
gritos, gestos, sombras, manifestos.
A noite esconde as faces
e libera os desejos.
Do céu,
a Terra é tão tranquila.


